sábado, 2 de novembro de 2013

Halloween

Halloween.



A 'festa maldita' de tanta gente. Em Portugal as pessoas vilipendiam-na, considerando-a uma importação sem sentido dos Estados Unidos, esquecidas que estão das suas verdadeiras origens. Porque se tomou o acessório pelo essencial…
De origem pagã e ligada ao culto dos mortos, a sua primeira referência ocorrem há cerca de 1750 anos, nos povos celtas da Irlanda. O seu conceito é o simbolismo da morte sagrada, entre o pôr do sol de 31 de Outubro e o nascer do astro-rei no dia 1 de Novembro. O dia dos mortos - felicidade perfeita sem fome nem dor. Na época acreditava-se que nesse dia os mortos visitavam os vivos para os guiar no caminho a esse mundo de perfeição.
Ao mesmo tempo a celebração do final do Verão, a meia distância entre o equinócio do Outono e o solstício do Inverno, o festival Samhain.
No mundo cristão, desde o Século IV que a igreja síria, uma das mais antigas no cristianismo, festejava, embora noutra altura do ano, o dia de 'todos os Mártires' e só três séculos depois a Igreja mudou o seu conceito para todos os Santos, santos estes no sentido de 'todos os que nos precederam na Fé'. Como festa grande na Igreja católica, tinha celebração vespertina, daí o termo 'All hallowed eve' dos ingleses, véspera do dia de todos os Santos. Com origem inglesa e irlandesa, adulterada religiosamente pelo cristianismo, passará, com a emigração, para os Estados Unidos.
Algumas das suas actuais características resultam da agregação de elementos histórico-culturais, por vezes com origens diferentes. Por exemplo, os disfarces têm origem nas danças macabras da França da Idade Média, por ocasião da mortandade da Peste Negra, enquanto que a demanda dos doces tem por origem as lutas entre católicos e protestantes na Inglaterra do Século XVII e o episódio do 'Gunpower Plot', a conspiração para explodir com o Parlamento, que envolveu Guy Fawkes, o primeiro 'Anónimo', já que inspirou as actuais máscaras dos Anónimos. Já a abóbora iluminada é, nem mais nem menos, a nossa Coca ou Cuca, o papão das nossas aldeias nortenhas…
Hoje, o Halloween como ritual é promovido pelos cultos neo-pagãos, desvirtuado do seu simbolismo original. O resto, o que nós hoje mais olhamos, é apenas comércio vazio de sentido…
Na América profunda, o Halloween é sobretudo um carnaval para as crianças, porque os americanos adoram celebrações. E neste amena noite, enquanto as crianças percorriam o bairro na sua recolha de guloseimas, nós adultos, ficámos tranquilamente conversando na entrada da casa...


















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