quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Primeiras neves


Primeiro começou a cair uma neve seca, na realidade um granizo fino como grãos de areia, que o vento arrastava em revoadas, deixando um manto estaladiço no chão. Depois engrossou para flocos. Um momento mágico...

Luzes de Natal

Dois milhões de pequenas lâmpadas compões uma das mais tradicionais iluminações de Natal de Tulsa: a da Rhema Bible Church.
Aqui fica o registo. Sei que o vídeo é péssimo, mas quem dá o que tem....



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Há comboios e comboios...






Na história dos EUA o comboio foi, no Séc. XIX, a grande máquina impulsionadora da expansão continental, da costa para o interior, sendo o seu expoente máximo o sonho de ligar a Costa Este à Costa Oeste (o que aconteceu em 1869).
Mais cómodo, rápido e seguro que as velhas diligências, foi o meio de transporte por excelência até ao período do pós 2ª Grande Guerra Mundial.
Depois, particularmente nos anos 50 e 60, o transporte ferroviário de passageiros entrou em declínio, que levou ao encerramento de inúmeras pequenas linhas (que hoje consideraríamos de suburbanas) e a supressão ou drástica diminuição da oferta do serviço de passageiros, nas linhas de longo curso. E foi  apogeu do rei automóvel e da rainha aviação…

Se bem que em decadência, no que respeita ao transporte de passageiros, subsistiu o transporte mercantil, onde uma malha de grandes linhas une os principais portos e cidades, ao longo de todo o território. Impressiona ver as enormes composições ferroviárias de mercadorias, algumas com centenas de vagões, que percorrem o país de lés-a-lés.
Todavia, não morreu a mística dos velhos comboios e, além do modelismo ferroviário, aqui e ali resistem memórias, revivalismo de um tempo de inocência.
Há comboios e comboios...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Art Deco em Tulsa 3


 United Methodist Church

A Arte Deco também foi adoptada pela esfera religiosa, como o demonstra a Igreja Metodista Unida, edifício de 1929 e considerado como o melhor da arquitectura religiosa Arte Nova nos Estados Unidos. Este magnífico edifício tem ainda a característica de ter sido desenhado por uma mulher, Adah Robinson, (que fez os esboços) e o seu antigo aluno Bruce Goff (artes finais). Inspiração em catedrais da Idade Média, sendo de notar a cúpula da sua torre: estilização de mãos em posição de orar, apontadas para o alto.




Tulsa World

O jornal local, "Tulsa World" não podia faltar numa cidade em tão destacado desenvolvimento. Criado em 1905, manteve-se como jornal independente até 2013, sendo, então, vendido pela quarta geração dos seus proprietários - a família Lorton - ao grupo BH Media. Com pergaminhos como a sua campanha a favor da construção da barragem de Spavinaw Creek, para um eficiente abastecimento de água a Tulsa ou a denúncia e oposição que teve a coragem de lançar em 1920 contra o emergente Ku Klux Klan.





Exchange National Bank of Tulsa/National Bank of Tulsa/Bank of Oklahoma

Construído em 1917, com 12 andares, em 1922 começou a receber mais 12, que foram concluídos em 1927. Com os seus 24 andares foi considerado o edifício mais alto de Tulsa, só sendo destronado em 1965. No seu interior alberga a sala de atendimento e respectivo balcão tal como originalmente foram construídos e que continuam a funcionar como agência bancária.  Durante as décadas de 50 e 60 do Século XX, tinha no seu topo uma torre com um farol que servia como aviso do estado do tempo para a cidade: se estava verde, significava bom tempo, se estava vermelho era aviso de tempestades a caminho.  Não era vista em toda a cidade de Tulsa, como a 20 milhas ao redor. Na cave detém a caixa-forte, uma jóia da construção de cofres. Obra da The Mosler Safe Company, em 1927, tem uma porta de 20 polegadas (cerca de 50 centímetros) em aço polido. Apesar das suas 30 toneladas, está tão bem calibrad que uma só pessoa pode abrir ou fechar a dita porta. O total do conjunto (com o vestíbulo e a portada) pesa mais de 55 toneladas. Não são permitidas fotografias no seu interior. A foto da porta do cofre que acompanha este artigo foi tomada do site da própria companhia construtora e se refere a outro cofre semelhante.

O Banco é o edifício de torre, em último plano





Uma porta de caixa-forte semelhante à do Banco, feita pela mesma companhia



Southwestern Bell C.ª

Os dois primeiros andares do prédio, ainda bem bem conservado e hoje posse da 1ª Igreja Baptista, foram construídos em 1924, quando o estilo gótico era popular. O seu objectivo foi o de albergar o novo equipamento de marcação de telefone, que foi usado pela primeira vez em Tulsa, em novembro de 1924. Seis anos depois, em 1930, quando o estilo Arte Deco Zig-zag tinha suplantado o estilo gótico, foram acrescentados quatro andares.
A fachada do primeiro andar do prédio de tijolos castanho-luminoso é quebrada por uma série de grandes janelas em arco. Estas janelas são enquadradas em terracota. As janelas do segundo andar são rectangulares e separados por painéis de tijolos decoradas com tochas ornamentadas de terracota. Um par vertical de escudos de terracota está localizada acima das tochas. Acima do segundo andar da fachada do edifício é dividido em uma série de painéis "pisou -back" que terminam em pináculos acima da linha do telhado. As janelas parecem painéis mais atrás.



Os túneis


Uma pequena rede de vários túneis pedonais interligam vários edifícios da cidade, permitindo não só a deslocação de um para o outro sem enfrentar os rigores invernais, mas sobretudo constituindo à época passagens seguras para com os edifícios bancários, a salvo dos assaltantes. Um dos mais emblemáticos é o túnel privativo entre o edifício Philcade e o da cave do então National Bank of Tulsa, onde está situado a caixa-forte (1928).


Para a construção destes túneis foram contratados mineiros do Nevada e de West Virginia, na altura tidos como os maiores peritos em galerias subterrâneas. A rede mais recente foi construída entre 1970 e 1980, agora com o objectivo de se constituírem passagens peitorais abrigadas das intempéries.

Art Deco em Tulsa 2


Continuando o nosso calcorrear pela Baixa de Tulsa. A Arte Deco, nos Estados Unidos, é considerada no período entre 1925 e 1942. No entanto, o estilo manteve-se bastante popular ao longo da década de 40 do Séc. XX.

Atlas Life Building


Atlas, o titã mitológico sustenta o mundo no cimo da fachada, dando o nome a este edifício de planta saída dos escritórios Rush, Endacott & Rush e concluído em 1922, para sede da seguradora "Atlas Life", fundada apenas quatro anos antes. Vendido pela companhia em 1991, foi convertido num hotel em 2010. Se o titã não é tão visível da rua, já o mesmo não se pode dizer do seu anúncio luminoso, com o tamanho de quatro andares, instalado em 1946 e que até hoje continua a funcionar, mesmo depois da mudança de ramo do edifício.

No hall, o relógio em que o Mundo que Atlas sustenta é o próprio mostrador do relógio

Geometria no metal


Caixa de correio

Desde meados dos anos 40 e continua a funcionar, depois de restauro em 1980

Atlas sustentando o mundo, na fachada do edifício




Mid-Continent Tower

Edifício financiado por Joshua Cosden, "O Príncipe do Petróleo", em 1918, no local da primeira escola de Tulsa, de 1885, em possessões Creek. É um dos edifícios mais conhecidos da cidade, pelo seu telhado de cobre e a fachada decorada a terracota branca e foi o primeiro arranha-céus da cidade. Estilo Gótico-Tudor. Originalmente com 16 andares, foi reconstruído em 1980, sendo-lhe acrescidos mais 20. Não são permitidas fotos no seu interior, apesar dos magníficos mármores, importados de Itália, que decoram as suas paredes, o vitral representando o horizonte urbano do centro de Tulsa ou os excelentes quadros ao estilo neo-realista representando paisagens e cenas do Oeste Americano.
O gosto do proibido....

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Riqueza do petróleo, gostos refinados: Arte Deco em Tulsa 1






Tulsa, em 1896, não passava de um pequeno lugarejo perdido no Oeste Americano, com meia-dúzia de casas, ruas de terra batida, que enlameavam desesperadamente depois do degelo, na Primavera, e levantavam cerradas nuvens de pó no Verão, e uma população que mal atingiam as 700 pessoas, na sua maioria nativo-americanos, condenados a viver nos "Territórios Indianos", verdadeira terra-de-ninguém, depois das deportações entre 1831 e 1838 levadas a cabo pelo Governo Federal dos EUA.
Além da população índia, entre os seus habitantes contavam-se ainda muitos aventureiros, colonos recém-estabelecidos, chegados com a grande "corrida para o Oeste", em 1889, e também, inevitavelmente, muitos fora-da-lei, à vontade neste caos social, regido apenas pela lei da Bíblia (quando calhava) e do revólver (quase sempre).
Porém, a descoberta, em 1901 e, depois, em 1905, das grandes jazidas de petróleo nos arredores da cidade, desencadearam o crescimento super-rápido da urbe, não só de habitantes, como economicamente, de tal modo que, em 1907, quando Oklahoma passou a ser o 46º Estado da União, Tulsa já tinha as ruas calcetadas e um sistema de transportes públicos de tróleis sobre carris, puxados por cavalos. Em 1917, a sua população ultrapassava os 7.000 habitantes e a cidade já possuía edifícios de cinco e seis andares.
Foram as imensas fortunas geradas à conta do ouro-negro que permitiram, sobretudo durante os segundo e terceiro decénios do Século XX que se construísse ao compasso do gosto mais refinado da época: a Arte Deco.
Hoje, a baixa de Tulsa possuí um dos maiores acervos mundiais de Arte Deco, depois de Paris, França, e Miami, Florida.
Um pequeno passeio pelos seus edifícios mais emblemáticos.


Edifício Philtower.

Construído em 1928 por Waite Philips, homem de negócios do petróleo, sob desenho do arquitecto Edward Buehler Delk, no estilo do revivalismo gótico, inspirado pelas grandes catedrais europeias, sobretudo inglesas e alemãs. As rendas das suas estruturas comerciais foram doadas por Waite Philips aos Boys Scouts of América (escuteiros americanos) para estes suportarem as despesas do Rancho Philmont e respectiva Villa, terreno também doado por Waite aos escuteiros, para parque de acampamento e treino da organização juvenil. Em 1977, os BSA venderam o edifício a investidores locais. No seu 20º andar preserva-se o escritório de Waite, tal como ele o usou.













































Edifício Philcade

Outro dos edifícios construído por Waite Philips, foi terminado em 1937. O seu esplendor é o design arquitectónico do seu interior, desenhado em alas formando um "T", de Tulsa, o que revela o amor de Waite pela sua cidade. O tema é inspirado no Antigo Egipto. Cada um dos seus magníficas candeeiros, inspirados nas lanternas árabes, custou na altura 300 dólares, o mesmo valor de, então, um Ford Modelo T. O edifício serviu de sede de várias companhias de petróleo. No seu interior funciona o Museu de Arte Deco local.